Cenário Mundial

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que frear o aquecimento em 1,5°Celsius requer corte de 45% nas emissões em 12 anos.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) alertou em outubro de 2018 que frear o aquecimento em 1,5°Celsius requer corte de 45% nas emissões em 12 anos.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (1) (IPCC) alertou em outubro de 2018 que frear o aquecimento em 1,5°Celsius requer corte de 45% nas emissões em 12 anos. Outro alerta é que os impactos e custos de um aumento de 1,5º na temperatura global serão muito maiores do que o esperado. E este incremento na temperatura pode ser alcançado em apenas 11 anos, segundo o IPCC, que envolveu 90 cientistas e considerou mais de 6 mil estudos científicos.

É estimado que, como resultado da mudança do clima, US$ 2,5 trilhões de ativos podem ser colocados em risco, representando 1,8% da economia global(2) .

O Acordo de Paris, fechado em 2015 por 195 países, pretende limitar o aquecimento global a 2ºC, porém isto implicaria em impactos dramáticos sobre os ecossistemas e a saúde e o bem estar humanos. O IPCC(1) sugere que este limiar seja reduzido para 1,5°C visando minimizar as consequências do aquecimento para a sociedade.

Por exemplo, a média de aumento do nível do mar ficaria 10 cm menor no cenário de 1,5°C do que de 2ºC (numa projeção até 2100), as áreas terrestres vulneráveis a crises hídricas também reduziriam em 50%, assim como diminuiriam os impactos sobre os ecossistemas e riscos de queda na produção de alimentos, recursos pesqueiros, entre outros serviços ambientais.

O cumprimento das metas do Acordo de Paris poderia salvar cerca de um milhão de vidas por ano em 2050 apenas se considerarmos a redução nos níveis de poluição, afirmou a Organização Mundial da Saúde(3). A OMS também enfatizou que as estimativas de valor dos ganhos na área da saúde seriam de aproximadamente o dobro dos custos das políticas de mitigação das mudanças climáticas e que a relação custo X benefício é ainda maior em países como China e Índia.

Os atuais compromissos dos países para cortar as emissões de gases do efeito estufa permitem que a temperatura global ainda suba 3°C até 2100.

O IPCC(1) delineia vários caminhos para estabilizar o aumento da temperatura em 1,5°C, como a redução pela metade do uso de combustíveis fósseis em 15 anos e a recuperação de 10 milhões de quilômetros quadrados de florestas até 2050.

No setor industrial o IPCC(1) estima que, para estagnar em 1,5° C o aumento da temperatura global, será preciso cortes de emissões de dióxido de carbono da ordem de 75-90% até 2050. Tais reduções podem ser alcançadas com tecnologias e práticas novas e existentes, incluindo eletrificação, hidrogênio, biocombustíveis, substituição de produtos e pela captura, uso e estocagem do carbono (chamado CCUs).

Soluções imediatas, eficientes e inovadoras são elementares para barrar o aumento das emissões de gases do efeito estufa e o aquecimento global.
 

Referências:
(1) IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Relatório Especial n° 15. Outubro de 2018: International Pannel on Climate Change (IPCC). Global Warming of 1.5 °C - an IPCC special report on the impacts of global warming of 1.5 °C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty.  2018. 
(2) Dietz, Bowen, Dixon, & Gradwell. Climate value at risk of global financial assets. London School of Economics and Political Science, 2016.
(3) OMS. Relatório Especial: Saúde e mudanças climáticas