Estocagem do carbono

Estocagem do carbono

A captura e estocagem do carbono é um campo relativamente novo da ciência ligada ao combate das mudanças climáticas, mas que vem apresentando inovações e desenvolvimentos de forma acelerada.

Diversas instituições internacionais estão se dedicando ao estudo de uma gama de aplicações para o carbono após ser retirado de fontes emissoras, como materiais construtivos, produtos químicos, combustíveis e polímeros. Em 2016, a Inciativa Global CO2 Initiative (Universidade de Michigan)(1) lançou o Global Roadmap for Implementing CO2 Utilization– CO2U que apresenta um roteiro para a potencial comercialização de tecnologias envolvendo o uso do CO2 até 2030. A avaliação mostrou um potencial de redução de emissões em mais de 10% até 2030.

A captura do carbono já é realizada há muitos anos principalmente no setor de petróleo, onde as emissões fugitivas são direcionadas sobretudo para depósitos geológicos subterrâneos, como poços de petróleo desativados. Esta técnica é chamada Carbon Capture and Storage (CCS) e mesmo depois de muitos anos de expectativas ainda encontra entraves como o alto custo de funcionamento. Mesmo assim, estudos indicam que para alcançar as metas do Acordo do Paris, mais de 2 mil unidades de CCS precisam estar ativas em 2040 e que 14% dos cortes nas emissões precisam ser feitos através desta técnica.

Atualmente 17 unidades de CCS em larga escala estão funcionando globalmente, com 200 milhões de toneladas de dióxido de carbono tendo sido injetados no subsolo. Mais 4 unidades estão entrando em operação em 2018 (2).

Considerando que todas as opções possíveis precisam ser consideradas para cortar as emissões nos níveis necessários, cientistas da Comissão Europeia (3) concluíram que o CCU também pode ter um papel na desfossilização da economia, ajudando a alcançar as metas de mitigação das mudanças climáticas e contribuindo para uma série de outros serviços para a sociedade através do uso mais eficiente da energia.

Assim, metodologias e diretrizes estão sendo desenvolvidos para calcular mais acuradamente o potencial de mitigação do CCU e avaliar o ciclo de vida da gama de tecnologias que estão sendo desenvolvidas e aplicadas, já que o período em que o carbono fica estocad nos diferentes produtos pode variar bastante.

O carbono pode ser estocado a longo prazo em processos como a mineralização (para produção de materiais para a construção civil), ou por um período menor como no setor energia.
Diversas iniciativas internacionais se formaram nos últimos anos e estão trabalhando para viabilizar e concretizar o CCU como uma forma ambientalmente íntegra para valorizar o dióxido de carbono e evitar que chegue à atmosfera, fazendo parte do rol de tecnologias que possibilitarão uma sociedade neutra em carbono.

 

Referências

(1)     Global CO2 Initiative. Global Roadmap for Implementing CO2 Utilization– CO2U, 2016.

(2)     Global CCS Institute. The Global Status of CCS: 2017.

(3)     Group of Chief Scientific Advisors - European Commission. Novel carbon capture and utilisation Technologies, 2018